Do cabrito assado às bolachas, das bolachas ao Tannat — um guia sincero sobre o que comer no Uruguai, onde comer e por que a gastronomia uruguaia vai surpreendê-lo mais do que você imagina.
A gastronomia uruguaia não tem a fama internacional da peruana nem o marketing da argentina, mas possui algo que muitas cozinhas mais conhecidas não têm: honestidade. Poucos ingredientes, matéria-prima de qualidade, preparos simples. Uma vez que você entra nessa lógica, é difícil não ficar viciado.
Se você tivesse que comer apenas uma coisa no Uruguai, seria o chivito. É o sanduíche nacional: carne bovina de alta qualidade (churrasco), presunto cozido, bacon, ovo frito ou cozido, queijo, tomate, alface, pimentão, azeitonas e maionese, tudo em um pão macio. É exagerado no melhor sentido possível.
No Uruguai, há um debate acalorado sobre qual confeitaria faz o melhor chivito de Montevidéu. Cada bairro tem o seu favorito. Não há uma resposta certa, mas há respostas erradas — evite os dos shoppings.
O churrasco uruguaio merece um guia próprio (e já tem um), mas, no contexto da gastronomia: a tradição do churrasco uruguaio está entre as melhores do mundo. A carne uruguaia provém de gado criado a pasto, sem confinamento, em campos abertos. Isso se nota no sabor.
O Mercado do Porto é muito turístico. Se você quiser uma experiência mais autêntica e mais barata, peça a algum uruguaio para te levar à churrascaria de confiança dele no bairro. É essa a opção que os moradores locais escolhem aos domingos.
As fatias são a categoria genérica para os produtos de padaria doces consumidos no café da manhã ou no lanche. O Uruguai tem uma forte tradição de padarias — a padaria do bairro é tão importante quanto o supermercado.
Café com leite (feca) + croissants ou biscoitos. Em qualquer confeitaria ou bar de bairro, isso custa entre $150 e $280 UYU (~$3–6 USD). É um dos prazeres mais simples e baratos de se viver no Uruguai.
O Uruguai recebeu uma enorme onda de imigrantes italianos entre 1880 e 1950. Isso fica evidente na culinária: a massa é um alimento fundamental na dieta uruguaia, e a pizza tem sua própria versão local.
O dia 29 de cada mês é o “dia dos nhoquis” — uma tradição de origem italiana muito enraizada no Uruguai. Coloca-se dinheiro debaixo do prato para atrair prosperidade durante o mês. Os restaurantes de massas ficam lotados. É algo totalmente sério.
A pizza uruguaia é diferente da italiana e da argentina. É mais grossa, com bastante queijo e, às vezes, com fainá por cima (mais sobre isso abaixo). É servida em pizzarias que estão nos mesmos locais há décadas.
A fainá é uma torta de farinha de grão-de-bico originária de Gênova, assada no forno e servida sobre a pizza ou sozinha. É densa, levemente oleosa e perfeita. Se você pedir pizza em uma pizzaria tradicional e não pedir fainá, vão te olhar de forma estranha.
O doce de leite uruguaio tem fama própria, inclusive entre os argentinos, que também o reivindicam como seu. É mais firme que o argentino, menos enjoativo e com um sabor caramelizado mais acentuado. É usado em tudo: croissants, alfajores, bolos, sorvetes, panquecas ou simplesmente com uma colher, direto do pote.
Um pote de doce de leite Conaprole ou uma caixa de alfajores artesanais são os presentes mais apreciados para levar quando você viaja. Melhores do que qualquer lembrança comprada em lojas de turismo.
A Tannat é a uva emblemática do Uruguai. Trata-se de uma variedade de origem francesa (do sudoeste) que encontrou nos solos uruguaios sua expressão mais bem-sucedida. Os vinhos Tannat uruguaios são tintos estruturados, com taninos firmes e muita personalidade. A principal região produtora é Canelones, a 30–60 minutos de Montevidéu.
O “medio y medio” é a bebida montevideana por excelência: metade vinho branco tranquilo, metade vinho branco espumante. Fresco, com baixo teor alcoólico, perfeito para acompanhar pizza e fainá. Surgiu no bar La Ronda, na Cidade Velha, e hoje é servido por toda a cidade.
Grappa misturada com mel. Parece estranho, mas funciona perfeitamente. É o digestivo uruguaio. É consumido após as refeições, especialmente nos meses mais frios. Pode ser encontrado em todas as mercearias e bares.
Sangría uruguaia: vinho branco ou rosé com frutas da estação, açúcar e, às vezes, um pouco de refrigerante. É preparada em uma jarra e servida bem gelada. A bebida do verão.
De segunda a sexta-feira ao meio-dia, quase todos os restaurantes e bares oferecem o “menu do dia” ou “prato do dia”: entrada + prato principal + sobremesa ou bebida por um preço fixo. Custa entre $350 e $600 UYU (~$7–13 USD). É a maneira mais econômica e completa de comer bem em Montevidéu.
O Uruguai possui uma rede de supermercados bastante completa. Os preços são mais altos do que na Argentina ou no Paraguai, mas a qualidade é consistente e os produtos locais são excelentes.
Os laticínios uruguaios (queijos, iogurtes, manteiga) são de ótima qualidade e têm preços razoáveis. A carne vendida nos açougues de bairro é significativamente mais barata e de melhor qualidade do que a encontrada nos supermercados. Procure o açougue mais próximo do seu apartamento — os açougueiros de bairro são um recurso essencial para o dia a dia.